Por que o cotelê chega ao cabedal pela malharia, e não pelo veludo
Por ITM Têxtil | 08/09/2026 | Calçados esportivos, Calçados femininos, Calçados Masculinos, Produtos, Tendencias de Mercado | cabedal, malha cabedal, moda calçados, tecidos cabedalO WGSN recolocou o cotelê na pauta de materiais para calçados e acessórios. A leitura por trás da tendência é menos decorativa do que parece: o consumidor procura superfícies que comuniquem textura, permanência e uso prolongado, e o cotelê carrega esse repertório porque a memória o associa a peças que duram. A indicação de aplicação é ampla e inclui calçados, tênis, bolsas, cintos e acessórios pequenos.
No relatório de principais silhuetas de tênis O/I 27/28, o mesmo movimento aparece por outro ângulo. O tênis de lona é apontado como básico em renovação, com atualizações concentradas em acabamento, detalhe e superfície. Cotelê como material e lona como silhueta apontam para a mesma peça.

Bota feita por IA com base em tecido FLEXUS malha para cabedal, com visual de veludo cotelê.
O ponto que o briefing não costuma abrir
Veludo cotelê é, por definição, um tecido de pelo. A canelura se forma quando fios adicionais são cortados e organizados em cordões paralelos sobre uma base fechada. O relevo é uma camada aplicada sobre a superfície, não uma propriedade da estrutura do tecido.
Essa construção tem uma consequência térmica direta. O pelo cria uma camada de ar retido sobre uma base densa, e é exatamente isso que torna o material quente. É uma qualidade em vestuário de inverno e um limite em cabedal brasileiro, onde o tênis casual é usado o ano inteiro e a coleção precisa sustentar venda além dos meses frios.
Há ainda três pontos que aparecem na produção. O corte precisa respeitar o sentido do pelo, o que restringe a liberdade no encaixe e reduz o aproveitamento da matéria-prima. Peças da mesma cor cortadas em sentidos opostos refletem luz de maneiras diferentes e leem como tons distintos no calçado montado. E as áreas de maior flexão, especialmente a dobra do peito do pé, amassam o pelo de forma permanente, fazendo o material envelhecer de maneira concentrada.

Imagem de editorial de moda feita por IA com base em produtos feitos com tecido ITM

Imagem feita por IA com base em tecido FLEXUS ITM
Os artigos 7855 e 7848
Os dois artigos pertencem à família Flexus, malhas de poliéster desenvolvidas pela ITM para cabedal e lona de calçado. Nesses artigos, a canelura é construída dentro da estrutura da malha. O relevo é o próprio tecido.
A diferença de princípio elimina os pontos anteriores. Sem pelo sobre a superfície, não existe sentido de pelo a gerenciar no corte, não existe variação de brilho entre peças e não existe pelo a marcar nas regiões de flexão. E, por serem malhas respiráveis, mantêm a troca de ar que o veludo cotelê fecha, o que devolve à peça a janela de uso que a tendência, sozinha, tiraria.
Os dois artigos são visualmente próximos entre si e ambos contam com certificação OEKO-TEX® STANDARD 100.

Tecido 7855

Tecido 7848
Dublagem como controle de volume
Vale nomear o que o consumidor de fato lê no cotelê. Antes da canelura, ele percebe volume. É o volume que comunica aconchego e robustez.
Os dois artigos aceitam dublagem, o que transforma esse volume em decisão de projeto. Em vez de depender da altura do pelo, o desenvolvimento define o substrato e obtém o corpo desejado com previsibilidade, ajustando toque, estrutura e conforto conforme a construção do calçado pede.
Onde aplicar
O aspecto canelado organiza a superfície em linhas. Isso valoriza recortes retos e painéis amplos e compete com sobreposições muito fragmentadas.
Em tênis, funciona em silhuetas casuais, retrô e de lona, onde a canelura pode acompanhar ou contrariar a linha do recorte de forma intencional. Em calçado casual, cabe em mocassim, sapatênis e bota de cano curto, oferecendo textura sem a manutenção que a camurça exige. Em acessórios, a aplicação é direta em bolsa, mochila, pochete e boné, além de golas, reforços e detalhes de contraste que compartilhem cartela com o calçado.

Cor e relevo
Superfícies em relevo respondem à cor de forma diferente de superfícies lisas. A canelura projeta sombra própria, e a mesma receita lê mais escura e mais saturada em um tecido canelado do que em um tecido plano.
Isso faz do desenvolvimento de cor uma etapa de projeto, não de acabamento. Na ITM, desenvolvimento de cor, tingimento e produção são processos internos, o que permite calibrar a receita considerando o relevo do artigo e manter a leitura pretendida ao longo da produção.
Para entender melhor como estes tecidos podem entrar na sua coleção, visite nosso showroom e converse com nosso time de desenvolvimento de produto!