O desempenho de um calçado de segurança se decide camada por camada, ainda no tecido

O desempenho de um calçado de segurança se decide camada por camada, ainda no tecido

Por ITM Têxtil | 06/10/2026 | Calçados Segurança, Eventos, Roupas segurança, Tecnologia têxtil | , , , , , , , , , ,

Às cinco da manhã, um operador entra na câmara fria de um frigorífico e passa o turno em baixa temperatura. Na mesma hora, em outra cidade, um armador pisa em um canteiro de obra encharcado pela chuva da noite, com pontas de vergalhão e pregos pelo chão.

Os dois usam calçado de segurança, e quase nada do que um precisa serve para o outro. O primeiro precisa que o frio do piso não chegue ao pé. O segundo precisa que a água fique do lado de fora, que o cabedal aguente atrito e que nada atravesse a sola.

Essas respostas não surgem na montagem. Chegam à fábrica de calçados dentro dos tecidos. Este texto abre a série Camada por Camada, em que a ITM trata, uma por semana, das tecnologias têxteis que aplica em projetos de proteção. Antes de aprofundar cada uma, vale ver o conjunto.

Um calçado de segurança pode ser lido de fora para dentro: cabedal, barreira, forro e palmilha. Cada camada resolve um problema diferente.

 

Cabedal: resistir sem pesar

O cabedal recebe atrito, dobra e impacto durante todo o turno. Três tecnologias atuam nessa camada.

Os tecidos CORDURA® são referência em resistência a rasgo e abrasão. Estão em cabedais de calçados e também em uniformes e equipamentos submetidos a atrito constante. A ITM foi a primeira indústria homologada a produzi-los na América Latina.

O NET segue outro caminho. É um tecido de monofilamento muito leve e ventilado, que mantém resistência mecânica. Atende projetos em que peso e troca de ar contam tanto quanto robustez.

Barreira: a água fica fora, o vapor sai

O S2 foi desenvolvido para uma exigência comum em ambiente úmido: impedir a entrada de água sem prender o vapor do suor. O tecido atende aos requisitos da ISO 20345 e supera em cerca de dez vezes o coeficiente de vapor exigido

Quando o projeto pede impermeabilidade, entra o DRYSHIELD®: tecidos com membrana impermeável e respirável, sem PTFE. A membrana bloqueia água e vento e deixa o vapor sair, o que evita o pé molhado por dentro.

Tecido CORDURA ITM 4989

Tecido CORDURA ITM 4989

Tecido 7518 imagem usada para demonstrar o serviço de dublagem de tecidos para calçados.

Tecido 7518

Forro: o clima dentro do calçado

O forro fica em contato com o pé durante todo o turno. É nele que se decide boa parte do conforto.

O SMARTEC® é uma tecnologia têxtil 3D que absorve e libera umidade rapidamente e, com isso, gerencia o microclima interno. O resultado é pé seco e temperatura mais estável.

O SANITEC® é a proteção antimicrobiana aplicada ao tecido, indicada para forros e partes internas. Inibe a proliferação de bactérias e fungos no material e ajuda no controle de odor. 

O Hot Flash é o tecido de forro e palmilha para extremos de temperatura. Ele reduz a transferência das variações externas para o interior do calçado e leva o suor para fora. A aplicação de referência é a câmara fria, e a mesma lógica de isolamento vale para ambientes muito quentes. 

 

Impermeável DRYSHIELD 9162

A combinação é o projeto

Nenhum dos dois trabalhadores do início precisa das oito tecnologias. Cada um precisa de algumas, na combinação certa.

Para a câmara fria, o ponto de partida é um forro Hot Flash, que já recebe tratamento antimicrobiano. Para o canteiro molhado, o desenho pode reunir cabedal CORDURA® com acabamento repelente, barreira DRYSHIELD®, forro SMARTEC® com proteção antimicrobiana SANITEC(R). A lista também não termina aqui. Podem incluir produtos e soluções específicas como o BLOCK, barreira contra a migração de PU e EVA na injeção direta, entram na mesma lógica.

O que muda quando tudo acontece na mesma indústria

Combinar tecnologias parece simples no papel. Na prática, cada etapa interfere na seguinte: a construção do tecido condiciona o acabamento, e o acabamento altera toque, respirabilidade e cor.

Quando tecelagem, acabamento e cor ficam em empresas diferentes, cada ajuste vira uma negociação entre fornecedores, e ninguém responde pelo resultado final. Na ITM, essas etapas acontecem dentro da mesma indústria, do fio ao tecido acabado. A cor é desenvolvida e reproduzida internamente, com rastreabilidade rolo a rolo. O laboratório, acreditado pela SATRA, ensaia a própria produção.

Essa estrutura sustenta um atendimento dedicado. Cada projeto começa por uma conversa técnica, e a especificação parte de um de três pontos:

  • A necessidade de segurança: o risco do ambiente em que o produto será usado.
  • A performance esperada: durabilidade, conforto, peso, respirabilidade.
  • A licitação: quando há edital, os requisitos de construção, resistência e cor que precisam ser cumpridos e comprovados.

O tecido é definido a partir daí, em vez de ser escolhido em um catálogo fechado.

Em licitação, isso pesa ainda mais. O edital fixa os requisitos, e o fornecimento precisa repetir o mesmo resultado do primeiro ao último lote. Consistência de cor e reprodutibilidade passam a ser condição de entrega.

 

Uma tecnologia por semana

Nas próximas semanas, cada tecnologia ganha um texto próprio: como funciona, onde se aplica, com o que se combina e o que os ensaios mostram. O próximo trata dos tecidos CORDURA®.

Quem estiver na FISP, de 6 a 8 de outubro no São Paulo Expo, encontra esses tecidos no estande D129/E76, na esquina dos corredores D e E e também pode conversar com nossa equipe de profissionais especializados.