Por que renovar um certificado é mais difícil do que conquistá-lo

Por que renovar um certificado é mais difícil do que conquistá-lo

Por ITM Têxtil | 12/08/2026 | Institucionais, Produtos, Sustentabilidade | , , , , ,

Em julho de 2026, a ITM teve seu certificado OEKO-TEX® STANDARD 100 renovado. Para quem está fora da indústria têxtil, a notícia parece rotina: mais um selo, mais uma validade estendida. Mas há um detalhe que muda completamente o significado dessa renovação, e ele explica por que ela diz mais sobre a ITM do que a certificação original dizia.

O certificado OEKO-TEX® STANDARD 100 não é permanente. Ele vale exatamente doze meses. E, mais importante, a lista de substâncias nocivas contra as quais os tecidos são testados é revisada todo ano, quase sempre ficando mais rigorosa. Quando o padrão foi criado, em 1992, a lista tinha cerca de 100 substâncias controladas. Hoje passa de mil, incluindo metais pesados, formaldeído, ftalatos e PFAS, os chamados “químicos eternos”.

Isso significa que renovar o certificado não é repetir a prova do ano anterior. É passar em uma prova que mudou. O tecido que estava em conformidade em 2025 precisa comprovar conformidade com os limites de 2026, que podem ser mais baixos, mais amplos ou incluir substâncias que nem eram monitoradas antes.A ITM mantém essa certificação há mais de uma década. Uma década de listas que só aumentaram, de limites que só apertaram, e de tecidos que continuaram passando. Não é sorte, e não é um selo antigo pendurado na parede. É a evidência de um sistema de gestão química que acompanha um padrão em movimento.

O que exatamente foi certificado

O escopo do certificado da ITM é, na prática, um retrato da fábrica. Ele cobre tecidos planos e malhas em 100% poliéster, poliamida, algodão e suas misturas com elastano; materiais tingidos por processos reativos, dispersos, ácidos e a cuba; laminados por hot melt; membranas impermeáveis; filmes de TPU; espumas; e acabamentos que vão do repelente a água e óleo ao antimicrobiano. Tudo destinado à indústria calçadista, ao vestuário profissional e a equipamentos de segurança.

Um único certificado cobrindo essa amplitude de composições e processos só é possível porque a ITM controla cada etapa internamente, do desenvolvimento de cor e tingimento ao acabamento final. Quando o processo é verticalizado, a conformidade química não depende de garantias de terceiros a cada elo da cadeia. Ela é gerida em casa, de ponta a ponta.

certificado OEKO-TEX® STANDARD 100 obtido pela ITM

Classe II: o tecido que passa o dia na pele

O certificado da ITM é Classe II, a categoria de produtos com contato direto e prolongado com a pele. Faz sentido: uma bota de segurança fica oito, dez, doze horas por dia nos pés de um trabalhador. O forro de um calçado esportivo está em contato constante com quem o usa.A Classe II responde a uma pergunta que o comprador técnico nem sempre faz, mas deveria: o que este tecido libera em contato prolongado com a pele humana? Quanto mais intenso o contato, mais rigorosos os limites que o tecido precisa cumprir. É por isso que essa classe importa especialmente para calçados e EPIs, onde o tecido não é um detalhe estético, é uma superfície que acompanha o corpo o dia inteiro.

O que isso resolve na mesa de quem compra e desenvolve produto?

Para o designer de calçados e o comprador de tecidos técnicos, a certificação renovada tem um efeito prático e imediato: a conformidade química já vem resolvida. O laudo é emitido por um instituto alemão reconhecido internacionalmente, credenciado pela associação OEKO-TEX®. Isso simplifica a exportação, atende a exigências de RSL (listas de substâncias restritas) de grandes marcas e reduz uma camada inteira de verificação de compliance.

Vale um detalhe que reforça o rigor do processo: além do teste anual, o OEKO-TEX® exige auditoria presencial na fábrica no primeiro ano de certificação e a cada três anos. Não é só o tecido que é avaliado. É o ambiente onde ele é feito.A leitura que ficaUm selo de certificação comunica uma coisa. 

Uma década de renovações comunica outra. A primeira diz que a ITM foi aprovada uma vez. A segunda diz que a ITM construiu um processo capaz de ser aprovado repetidamente, contra um padrão que fica mais exigente a cada ano.

Para quem projeta e compra tecidos técnicos, essa é a diferença entre um fornecedor que teve um bom resultado e um fornecedor em quem se pode confiar de forma contínua. E é essa segunda categoria que a renovação de 2026 confirma.

A validade de qualquer certificado OEKO-TEX® pode ser verificada pelo número no site oficial da OEKO-TEX® (oeko-tex.com/label-check). O certificado da ITM é o 26.HBR.14598, válido até 31/07/2027.